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Entrevista com as autoras Ana Maria e Patrícia Moretzsohn


Ana Maria Moretzsohn é jornalista e escritora. Começou a escrever novelas em 1985 e, dez anos depois, compôs a equipe de autores da primeira temporada de ‘Malhação’. Patrícia, sua filha, também fazia parte da equipe. Com 19 anos, ela era colaboradora da série. Das tramas de épocas à abordagem juvenil, Ana Maria também redigiu ‘Esplendor’ e ‘Estrela-guia’. Já Patrícia se formou em Letras e por muitos anos continuou compondo a equipe de ‘Malhação’, colaborando também em ‘Estrela Guia’, ‘Tempos Modernos’, ‘Fina Estampa’ e assinando a autoria de ‘Floribella’, na Band. Mãe e filha estão de volta à ‘Malhação’, 18 anos depois, tendo como pano de fundo a história de universo familiar. Na noite da última quarta (19), as autoras deram uma entrevista aos jornalistas presentes na Coletiva de Imprensa de Malhação 2013, e nós da Central de Notícias Malhação estamos trazendo com exclusividade essa entrevista até vocês. 

O envolvimento de vocês com 'Malhação' nasceu junto com a série, em 1995. Como foi esta experiência?

Patrícia Moretzsohn: Quando eu tinha 19 anos, fiz uma oficina de roteiro com Andréa Maltarolli e Emanuel Jacobina. O projeto deles era a ‘Malhação’. No fim da oficina, eles me convidaram para ser a adolescente infiltrada na equipe de criação. Éramos todos iniciantes, então o Charles Peixoto, de ‘Armação Ilimitada’, entrou para dar uma liga, mas ainda faltava alguém com experiência de novela.

Ana Maria Moretzsohn: O Roberto Talma então decidiu chamar eu e Ricardo Linhares para compor a equipe e a primeira coisa que fizemos foi criar uma família. Nasceu então a Silvia Pfeifer, que tinha uma filha mais velha e um filho caçula, era divorciada e dona da academia de ginástica.

Patrícia Moretzsohn: Com o núcleo familiar, a história ficou redondinha e lá se vão 18 anos no ar. Considerando a idade que entrei no projeto, já é praticamente metade da minha vida!

A que vocês atribuem o sucesso de ‘Malhação’ ao longo de todos esses anos?

Ana Maria Moretzsohn: Acho que o sucesso se deve ao fato de ser o único programa diário da teledramaturgia que fala sobre jovens. E esse é um público que se renova o tempo todo, então a história nunca acaba. Sem contar as mães que há 18 anos atrás assistiam à série.

Patrícia Moretzsohn: A cada mudança de temporada, a gente tem a chance de criar uma história nova, trazendo um frescor para a série. Algumas coisas não mudam, como o formato ou o fato de ser o espaço para lançamento de atores iniciantes. É importante que a gente não saia daquele formato que ficou consagrado.

O que vocês trouxeram de novidade para esta temporada?

Ana Maria Moretzsohn: Esta temporada deve estar no ar próximo ao início da Copa do Mundo de futebol, que será no Rio de Janeiro. Criamos então um personagem que fosse o símbolo do brasileiro que tem aquele amor pelo futebol, que vê o esporte como o tempo em que ele era feliz. Em função disso, estamos começando ‘Malhação’ fora do Brasil pela primeira vez. Tudo começa quando Ben decide deixar os Estados Unidos e voltar à sua terra natal.

Patrícia Moretzsohn: O garoto tem esse sonho de viver no Brasil. Ele vislumbra aproveitar deste momento próspero do país para crescer com ele. A gente está embarcando neste sonho com Ben, como se a Copa do Mundo fosse coroar a vida do personagem depois todo esforço para construir sua vida no país.

E o que fica de tradição na série?

Patrícia Moretzsohn: A gente partiu da primeira ideia que definiu o formato tradicional para ‘Malhação’: a criação do núcleo familiar forte, com foco no jovem. Isso nos dá a certeza de que estamos fazendo ‘Malhação’. Neste ano, tudo acontece ao redor e a partir do núcleo familiar do casarão.

Ana Maria Moretzsohn: Ao mesmo tempo em que é tradicional, este núcleo familiar é também contemporâneo, porque a família formada por Ronaldo e Vera foge dos padrões de antigamente, representa a construção de hoje: ele tem filhos; ela tem filhas; eles querem unir todos em uma nova família.

Patrícia Moretzsohn: Imagine que, há 18 anos no ar, a gente já explorou bastante as separações, os dramas de filhos de pais divorciados e como lidar com o trauma. Ainda não mostramos esta nova fase em que as crianças estão lidando bem com tudo isso. Que, de repente, estranho é o amiguinho que não tem os pais separados. Passamos por esse conflito e estamos em outro, gerado a partir dele. Ronaldo e Vera vão casar e juntar os filhos na mesma casa. Para completar, o lugar está caindo aos pedaços e precisa de reforma. Tem ainda uma menina, a Sofia, querendo lutar contra esta união pelo simples motivo de preferir morar na Barra da Tijuca, onde está seu pai. Como resolver isso? Ou seja, o conflito agora é definir o modus operandi dessa coisa toda. E existe uma quantidade infinita de histórias que podem surgir a partir disso.

A nova trama traz um questionamento de onde é o seu lar, certo?

Ana Maria Moretzsohn: Nossos personagens vivem em busca de seu lar, do lugar onde se sentem bem. Às vezes ele pode ser a casa de um amigo, pois é lá que você encontra a felicidade. Flaviana, por exemplo, mora na Barra da Tijuca, em um condomínio sofisticado, mas o ambiente familiar do casarão do Grajaú, para onde sua amiga Sofia se mudou, lhe faz muito bem. Muitas vezes algo na sua casa o faz não estar bem ali.

Patrícia Moretzsohn: Pode ser o padrasto quem fornece um lar ao filho postiço, por exemplo. Outras vezes, sua família pode ser seus amigos de rede social. Parece triste, mas acontece. Nossos personagens vão viver em busca do lugar onde seu coração está.

A história se passa no Rio de Janeiro e traz as diferenças da rotina de jovens moradores do Grajaú e da Barra da Tijuca. Como foi retratar estes universos?

Ana Maria Moretzsohn: O Grajaú ainda é um bairro de antigamente, acho que o único que mantém esse perfil. Lá, as pessoas ainda colocam as cadeiras na calçada para conversar e conhecem seus vizinhos, o que não é mais uma coisa muito comum. A Barra da Tijuca é justamente o oposto: um bairro cosmopolita, em que cada um vive sua vida de forma independente, convivendo com a modernidade. Um lugar de emergentes, como Caetano. A menina do Grajaú é educada de uma maneira mais tradicional e não experimenta a mesma liberdade que as garotas criadas na Barra. Então são dois opostos.

Patrícia Moretzsohn: Martin usa muito dessa distância. Ele acha que pode se envolver com as menininhas da Barra, porque isso nunca vai chegar aos ouvidos de Anita, sua namorada que mora no Grajaú.

Além do casarão, que é o cenário principal desta história, as crianças e jovens se encontram também nos colégios. Como serão estes ambientes?

Ana Maria Moretzsohn: As escolas são tradicionais, assim como o Grajaú. A base é de uma escola católica, de ensino fundamental, chamada Santa Maria Ebner. Lá o ensino é mais rígido e os pequenos Pedro e Giovana precisam usar uniforme diariamente. Precisando de dinheiro, as freiras alugaram o espaço do colégio católico para a instalação de um sistema de ensino médio, o Colégio Destaque, onde estudam os adolescentes da história.

Como é para vocês, mãe e filha, trabalharem juntas?

Ana Maria Moretzsohn: É muito prático, na verdade, porque a gente mora uma ao lado da outra. E sempre trabalhamos juntas, de uma forma ou de outra. Nós duas temos mais ou menos a mesma cabeça, a gente fala sobre os mesmo assuntos. Eu sempre passei tudo que achava legal para os meus filhos, então a gente tem referências parecidas.

Patrícia Moretzsohn: A biblioteca e a cinemateca que tenho na minha cabeça são as mesmas dela. Até com a nossa equipe de colaboradores temos um convívio muito próximo. O Ricardo Tiezzi está comigo desde que escrevi ‘Floribella’, Andrea Rebelo foi aluna de roteiro da minha mãe, e ainda contamos com a Laura Rissin e a Gabriela Amaral que têm larga experiência como roteiristas na TV Globo. Confiamos muito na inteligência e capacidade de trabalho de todos eles e isso constrói um clima muito bom. Estamos há tanto tempo juntos que formamos uma grande família. Para completar, tem sido maravilhosa a relação com Vinícius e o Dennis. Nos identificamos logo de cara. Acredito piamente que este clima bom acaba passando para o público. Este é um projeto que está sendo feito com açúcar e com afeto. Como diz a expressão: “Da minha família para a sua família!”.

Como vocês definiriam a nova temporada de ‘Malhação’?

Patrícia Moretzsohn: Esta é uma temporada que fala de lar, de tudo que hoje em dia se entende como lar, assim como todos os problemas e felicidades que vêm dessa nova organização em torno de novos modelos de famílias.

Ana Maria Moretzsohn: Podemos definir que esta é uma temporada de agregação, onde se pode encontrar os mais diversos assuntos explorados no lar de uma família que é composta por pessoas de diferentes origens. A história vai falar da busca pelo seu lugar no mundo e desejamos levar esse questionamento ao público: “Onde é o seu lar?”. “Onde está seu coração?”.

O que mais o público pode esperar experimentar no novo ano da série?

Ana Maria Moretzsohn: Identificação e envolvimento. Porque se sua família não for como uma destas, você certamente conhece alguma que se parece com a de Ronaldo e Vera, de Maura ou de Flaviana.

Patrícia Moretzsohn: Podem esperar também, claro, os assuntos que permeiam a vida de todo o adolescente, independente da origem ou geração. De novas formas e pontos de vista, vão ter histórias sobre gravidez, primeiro beijo, sexualidade. A gente quer que as pessoas assistam e se envolvam com estes personagens.

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